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“A cenografia, também ascética, congrega as imagens de uma sala de hospital com uma galeria de arte criando um ambiente que está pronto a desprezar qualquer idéia de sensação corporal. Se o ascetismo e a brancura tendem para o triunfo do espírito sobre o sofrimento proveniente de nossos corpos, as composições de fotografias de partes de corpos humanos com alguma interferência (próteses, musculaturas proeminentes, piercings) empregam a instância cotidiana. Esses elementos tanto podem provocar uma apreensão despreocupada e que diverte, quanto uma reflexão identitária. Acredito que estaria justamente aqui o trunfo do espetáculo, ou seja, pode ser apreendido por meio do humor aparentemente simples.”
Dinah Cesare, Revista Questão de crítica 27/11/2008
http://www.questaodecritica.com.br/conteudo.php?id=271
Um trabalho em processo para dois atores, “Manifesto Ciborgue”, tem seu título retirado de um dos artigos da professora americana Donna Haraway, onde esta aprofunda o conceito de ciborgue e a possível existência de um “corpo cibernético” na contemporaneidade. “Manifesto Ciborgue” trata da composição/decomposição do corpo; do que existe neste corpo, que mesmo não tendo surgido dele próprio, o possibilita existir; do que sobra deste corpo depois de sua destruição; das próteses que sobrevivem ao orgânico e se transformam em memória do sujeito do qual fez parte; da consciência da degradação da carne e a tentativa desesperada de desativar este mecanismo auto-destrutivo e com prazo de validade. Manifesto Ciborgue apresenta-se, ao mesmo tempo, como um inventário do corpo moderno e como uma forma de se pensar este corpo humano enquanto mais uma peça que, simplesmente, faria parte de uma possível linha evolutiva.
Este é o lugar onde Kafka encontra-se com Michael Jackson.
Ficha Técnica
Direção e Concepção – Joelson Gusson
Dramaturgia e Trilha Sonora – Dragão Voador
Poemas – W.J. Solha
Elenco – Leonardo Corajo e Lucas Gouvêa
Assistência de Direção – Candice Abreu
Assessoria Teórica – Bernardo Freire
Desenho de Luz – José Geraldo Furtado Gomes
Cenografia e Figurinos – Joelson Gusson
Engenharia de Som – Pedro Moreira
Coreografia/Streat Dance – Daniel Figueiredo
Coreografia/Tango – Lídio Freitas
Fotografias – Paula Kossatz
Edição de Vídeo – Luciano Melo
Programação Visual – Pina Brandi
Produção – Joelson Gusson